Terapia hormonal oral na menopausa associada a maior risco de coágulos; adesivos e géis não, conclui estudo dinamarquês
Um estudo nacional publicado no The BMJ encontrou maior risco de coágulos venosos com qualquer terapia hormonal oral, enquanto a via transdérmica não mostrou aumento geral. Os riscos absolutos são pequenos.
Um grande estudo dinamarquês publicado no The BMJ a 23 de setembro analisou a relação entre as diferentes formas de terapia hormonal da menopausa (muitas vezes chamada THS) e os coágulos sanguíneos, o AVC e o enfarte.
Como foi feito
Os investigadores usaram os registos nacionais de saúde de mulheres entre os 50 e os 69 anos que viveram na Dinamarca entre 2003 e 2021. Identificaram 9807 mulheres com um primeiro tromboembolismo venoso (coágulo numa veia da perna ou nos pulmões), 18 460 com AVC isquémico e 11 974 com enfarte, e compararam cada grupo com mulheres do mesmo ano de nascimento sem esses eventos. Os registos de receitas mostravam quem usava terapia hormonal, por que via, em que dose e durante quanto tempo.
Principais resultados
- O uso atual de qualquer terapia hormonal oral esteve associado a maior risco de coágulos venosos, independentemente da dose ou da duração.
- Riscos mais elevados de AVC e enfarte só surgiram com estradiol oral em dose alta (mais de 1 mg por dia) tomado durante mais de um ano, aumentando com o uso prolongado.
- A terapia transdérmica — adesivos, géis ou sprays — não mostrou aumento geral do risco trombótico, qualquer que fosse o regime, a dose ou a duração. A única exceção, uma taxa de enfarte mais alta com um regime transdérmico cíclico combinado, baseou-se em dados escassos.
Em termos absolutos
O estrogénio oral (isolado ou com progestagénio) associou-se a cerca de um coágulo venoso adicional por cada 1055 mulheres tratadas durante um ano, um AVC adicional por cada 1642 e um enfarte adicional por cada 3846.
Limitações
O estudo é observacional e não prova causa e efeito. Não tinha dados sobre a idade da menopausa, o índice de massa corporal ou o tabagismo, e os resultados podem não se aplicar a populações etnicamente mais diversas. Quem usa ou pondera usar terapia hormonal deve discutir a via e a dose com o médico, em vez de alterar o tratamento por conta própria.
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