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Health Notícia

Variante D1.1 da gripe aviária circulou sem ser detetada cerca de três meses em aves selvagens da América do Norte, revela estudo

Uma análise genética liderada pela Universidade Estadual do Arizona sugere que a variante do H5N1 começou a expandir-se por volta do verão de 2024, antes da primeira deteção reconhecida em setembro. Os autores pedem sequenciação mais rápida e vigilância mais coordenada.

Uma variante da gripe aviária de rápida propagação circulou entre aves selvagens da América do Norte durante cerca de três meses antes de ser detetada pelas autoridades, segundo um estudo liderado pelo professor Matthew Scotch, da Universidade Estadual do Arizona (ASU), em colaboração com o Departamento de Caça e Pesca do Arizona, divulgado pela universidade a 23 de setembro.

O que foi estudado

A equipa concentrou-se na D1.1, uma variante genética do vírus H5N1 do clado 2.3.4.4b, que tem impulsionado o surto mundial de gripe aviária dos últimos anos. Os investigadores compararam genomas de vírus de aves selvagens doentes e mortas recolhidas no Arizona com milhares de sequências públicas de todo o país. A análise indica que a grande expansão da D1.1 terá começado por volta do verão de 2024 — antes da primeira deteção reconhecida, em setembro de 2024. Scotch descreve-o como um período de “circulação críptica, ou não amostrada”.

Como se deslocou

O vírus propagou-se sobretudo de oeste para leste, entre rotas migratórias vizinhas: do corredor do Pacífico para o Central, depois para o do Mississípi e, a seguir, para o do Atlântico. Houve poucos indícios de movimentos diretos entre os dois corredores mais distantes, o do Pacífico e o do Atlântico. O papel de cada rota como “fonte” ou “sumidouro” da infeção mudou ao longo da migração de outono.

Porque importa

A D1.1 já infetou pessoas, incluindo a primeira morte nos EUA associada ao H5N1, no Louisiana, no início de 2025. Os vírus do Arizona não tinham a mutação Q226L, que estudos laboratoriais associam a uma maior ligação a recetores de tipo humano, mas os investigadores sublinham que a gripe continua a evoluir e que é preciso acompanhar que variantes circulam, e não apenas o número de casos.

Recomendações

Scotch defende a sequenciação mais rápida de deteções invulgares, o reforço da vigilância genómica nas semanas antes e durante a migração e a ligação da monitorização de fauna selvagem, aves de capoeira e mamíferos numa abordagem “Uma Só Saúde” (One Health), com partilha rápida de dados entre regiões. A mensagem para o público é “atenção, não alarme”: estes vírus continuam a ser sobretudo um problema de saúde animal.

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